domingo, 30 de outubro de 2011

Minha Melhor Companhia


Eu preciso de você, descobri. Preciso de você para me mostrar o belo da vida. Preciso para me mostrar o caminho que devo seguir. Para me dizer que arriscar é maravilhoso, e mais, acreditar é maravilhoso. Eu preciso de você perto de mim para dizer que lá fora não está fazendo frio, que não faz medo, que você me protege; que me abriga em seus braços; no teu peito quente. Eu preciso tanto de você, descobri. Só você agora, ou a partir de agora, pode me motivar a caminhar ao mais longe de mim e acreditar, sempre acreditar que o futuro me reserva um mar de rosas. Eu preciso de você para me fazer acreditar que estou segura. Que a tempestade passou; que já posso sair do “cafofo” para ver o dia raiar. Que o sol saiu ou que o céu está cheio de estrelas esperando para serem vistas. Eu preciso de você. Preciso que me diga que o sonho não acabou; que é hora de levantar a cabeça, olhar adiante e seguir, sorrir, buscar, planejar, acreditar, viver, amar, sentir, sonhar. Eu preciso, entende? E eu preciso de você também para me dizer que não é por você que devo buscar todas essas coisas, mas por mim mesma. As vezes a gente só precisa de alguém ao nosso lado para dizer que a gente consegue.

Joice Soares

sábado, 20 de agosto de 2011

Temporal


Nunca acreditei nessa coisa de dar um tempo em relacionamentos. Na verdade, eu tinha trauma de tempo. Sempre vi o tempo como uma possibilidade de dizer adeus sem que o outro perceba, e quando este outro se dá conta, já era, acabou, - como é mesmo aquela brincadeira? – E o vento levou. É, levou. Foi levado pelo tempo, pela vida. O tempo e a vida é que nem o vento. A gente não os vê, mas sabe que ele está passando. É muito perigoso acreditar no tempo do relacionamento. Acreditar no tempo não é acreditar no laço firmado, no amor sentido, mas é, sobretudo, acreditar que os fenômenos não ocorrem. Mas sabemos, desde criança, que não podemos ir de encontro às coisas da natureza. Já ouviu falar em aquecimento global? Pois bem. Meu amor se quer pedir tempo, pra pensar, pra sair, pra dormir, para o que quiser peça, mas olhe, eu tenho uma saúde frágil, não posso ficar nesse tempo por muito tempo, porque corro o risco de pegar um resfriado. Acompanhou o meu raciocínio? Eu não posso ficar nesse tempo, no relento, e se vier um temporal? Não quero ser grosseira, entenda o meu lado. Eu ainda estou sentindo tudo o que afirmei sentir por você, mas o ato de tomar chuva nos dá uma sensação de liberdade, mas com ela existem conseqüências também. Eu te dou esse o tempo, mas não demore. Se cair uma chuva, se o vento ficar muito forte pra mim, terei que procurar um novo abrigo pra ficar.

Joice Soares

terça-feira, 31 de maio de 2011

Silêncio...


Como não é o meu forte deixar transparecer o que não me acrescenta, recolho-me a um canto qualquer, a suavizar as lacunas fragilizadas. Parece não haver nada que me possa servir como remédio a amenizar esse conjunto de emoções destroçadas, por isso me calo e me recolho a um canto. Por não conseguir expressar; por para fora o que não me alimenta, resta-me escrever. Isso me medica. Já que a minha voz soa muda, meus dedos conseguem gritar por mim. Coloco num papel tudo o que tenho vontade de falar, tudo o que digo em silêncio. E a minha voz soa muda por entre os ouvidos surdos; os olhos cegos cansados de ver o que não deseja. De enxergar a distancias a margem do incompreensivo.

Joice Soares

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Desejo insaciável


Por que insiste em me surpreender? Não vê que qualquer elemento, fator determinante de sentimentos que transcenda uma vontade louca contida de querer estar junto e/ou que me leve a algum entendimento quanto a necessidade de se ter algo/alguém inexiste agora?! Já não nos cabe a dúvida, eu quero a certeza. Quero a tua certeza. Escancarada no rosto lúbrico, esculpida por entre os olhos, o nariz, a boca, os dentes. Eu quero o sonho continuado de quem não sonha, ou de quem acredita na sua realidade. Eu quero o sabor e o frescor de hortelã na boca como tradução ao que não se pode ver; ao intangível. Quero a pele fria, e quero a pele quente também. Eu quero que você me esquente. Não há dúvidas de que só o teu calor me aquece agora. É por isso que eu quero você, só você. Quero matar a minha sede insaciável de te ter cotidianamente. Quero, não no sentido de ter, pois já tenho, mas no intuito de confirmar o intangível. Quero no sentido de acrescentar valores que norteiam a órbita do amar, do respeitar, do sentir, do desejar, do querer junto e do acordar em conjunto. No sentido de segmentar o que não se pode tocar, mas pode-se sentir forte, quente, efervescente. Porque tudo o que há em você agora, ou a partir de agora, de ontem ou de sempre, há em mim também. Por que já não existe mais o EU e VOCÊ, existe o NÓS, o NOSSO. Existe a nossa união quando eu te aceito e você me aceita, sobretudo, quando nos aceitamos em conjunto.

Joice Soares