Naquela noite fria, algumas coisas já haviam acontecido. Algo que de certa forma, me surpreendeu. Nada demais, mas diferente do que esperava aquela noite. Recomponho-me a um ambiente quente. Foi quando começou aquela confusão corporal que às vezes penso que só acontece comigo. Calor-Frio. Controlar a temperatura do corpo quando o clima sofre influências é muito difícil. Mas não é sobre isso que venho falar. Em meio aos acontecimentos dessa noite fria. Eu já não esperava por muita coisa, o que mais poderia acontecer? Quando a gente espera por tudo, não necessariamente tudo, mas espera muito, acontece que nos distanciamos de muitas coisas, mas quando a gente não espera por muito, passamos a atrair o que acreditamos não vir. De repente, em meio aquela multidão. Músicas, bebidas, cigarros, pessoas andando de um lado pro outro. Sinto como se alguém me segurasse. Olhei. Olhei de novo. Quis ter certeza, não queria confundir os rostos. Todo aquele movimento, aquela confusão, poderia de alguma forma interferir na realidade que me deparava. Mas eu reconheci aquela face. Foi assustador, mas foi um susto bom de sentir. Você, eu, e aquela multidão que mais parecia figurantes que necessariamente estava ali, ou não tão necessariamente. Às vezes não enxergamos os figurantes. O momento nos cega. Mas era você, isso importava. A sua certeza de que era eu, e a minha certeza que se afirmou com o teu sorriso. Pluft-Plaft-Zeim. O encontro do ano. E quem iria crer que um dia chegaríamos a tanto?
Joice Soares
Joice Soares
